sábado, 8 de janeiro de 2011

SEXTO TRECHO - DE JOAQUIM V. (V?) GONZALEZ A PURMAMARCA, COM PASSADINHA EM TILCARA E HUMAUACA

Sete de janeiro de 2011. Argentina total.
Sexto trecho curto. 313 km com paisagem espetacular. Verdadeiro passeio. De Joaquim V. (V.?) Gonzáles a Purmamarca.
Café às sete e meia com as “medialunas” tradicionais. Entre pagar a conta – em “efectivo” –, arrumar as coisas, fotos etc., a saída se deu às 8:20hs. Temperatura 22,5°Celsius.
Saída fácil da cidadezinha e logo estávamos na estrada. Os primeiros cinqüenta km estavam muito ruins, com diversos buracos (aqui “poços”) e com o asfalto deformado. Mas o movimento é pequeno e deu para desviar dos maiores sem problemas.
Os próximos cinqüenta km estavam bons e a paisagem também começou a melhorar. Avistamos, ao longe, as primeiras montanhas.
Rodados cem km, terminou a Ruta 16. Termina na Ruta 9, a pista que vai para Salta. Este trecho a partir de Joaquim V. (V?) Gonzalez a estrada não é mais aquele retão infinito do Chaco – apesar de ser a mesma Ruta 16. Ela faz um grande contorno ( que pode ser visto no mapa) que termina justamente na Ruta 9. Porisso Joaquim nos pareceu um ponto estratégico para a travessia do Chaco.
Na região – os tais cem km – se planta fumo. Ao longo do trecho, vimos enormes plantações e caminhões carregando a folha já colhida.
A Ruta 16 tem um asfalto excelente e duas pistas em cada sentido – separadas apenas por faixa dupla central. O entorno é muito bonito porque as montanhas começam a ficar maiores.
A primeira parada se deu com 177 km rodados, às 10:10hs. Posto de estrada, nas proximidades de General Güelmes. Um lugarzinho chamado Tomé Salito, se eu não me engano – é difícil às vezes entender o que dizem os frentistas.
Atenção: convém abastecer ali. Aliás, daqui para a frente convém abastecer em todo lugar que se encontrar com combustível, porque o desabastecimento – tão corriqueiro para os Argentinos das províncias mais distantes de Buenos Aires – começa.
Tocamos até rodarmos 271 km desde o início – após rodearmos Jujuy, a capital da província para onde nos dirigimos. Um mirante. Mirador de Leon, com vista linda das montanhas e de um vale bárbaro, ao fundo. Provável leito de rio de degelo. Chegamos ao local ao meio-dia, com temperatura extremamente conveniente para viajar de moto, de 23°Celsius.
A chegada em Purmamarca se deu às 13:00hs., com temperatura de 25°Celsius. Exatos trezentos e treze km rodados. Cidade lindíssima, toda de pedra avermelhada, no meio das montanhas coloridas! Ao lado do Cerro de Siete Colores. A paisagem é mais bonita aqui do que a que vi nas proximidades de Mendoza. Muitas cores e vegetação. Muitos cactos, que compõem a paisagem.
Para encerrar, a pousada é show de bola. Um luxo. Terrazas de La Posta é o nome. Otávio, muitíssimo obrigado pela ótima escolha.
Prossegue no próximo post. Fotos com a Ju, assim que eu parar de usar o computador. Abreijos. Toni.
P.S. No sexto dia fomos a Tilcara (onde ficamos uma hora e meia para abastecer – não há combustível daqui até o Chile), cidadezinha de faroeste, e Humauaca, do mesmo estilo de Purmamarca, mas não com o mesmo charme. Mais cento e vinte km rodados de ida e volta. E na volta, às 19:00hs., a temperatura baixou para 19° C, com vento. Agora estamos na Argentina: montanhas, vento, frio, paisagens lindíssimas e desabastecimento... Mas foi por esse conjunto da obra que viemos para cá. Agora terminou mesmo.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

QUINTO TRECHO - CORRIENTES - JOAQUIM V. (V?) GONZALES





Seis de janeiro de 2011. Argentina total.
Quinto trecho. Média distância. 600 km. De Corrientes a Joaquim V. (V.?) Gonzales. A famosa travessia do Chaco. O tamanho do calor pode ser verificado pelo nome de duas das cidades pelas quais passamos: Infierno Del Chaco e Rio Muerto. Também tinha Cerro Queimado. Tudo nome de cidade de faroeste, empoeirada e calorenta. E eram mesmo. Para quem não acredita nos nomes, a Ju vai postar uma foto.
A idéia, por causa do calor previsto, era de sairmos de madrugada. Só que o café da manhã do hotel Guarany em Corrientes começava às 6:30hs. Nada de café mais cedo. O grupo optou por tomar o café e rezar um pouco para que o calor não pegasse.
Saímos às 6:50hs. Logo na saída, uma perdidinha. É que estávamos em dúvida se podíamos trafegar pela pista central da avenida que leva à Ruta 16 – a estrada que corta o Chaco. Um amigo do Otávio disse que foi parado pela polícia por trafegar pela faixa central e não pela lateral.
Pois bem, fomos pela lateral, por via das dúvidas, mas na hora de sair para a ponte – a que corta o Rio Paraná, em direção a Resistência (30 km de Corrientes – também é opção de dormir; pior, mas é) – o Otávio virou para um lado e eu e o Zé para o outro. Depois de uma volta mais comprida do que eu esperava, acabei por ver o Otávio entrando na ponte, encontramo-nos e não nos perdemos mais.
Do lado de lá, perto de Resistência, de súbito, o Otávio saiu da pista e foi para a marginal. Ali havia uma placa proibindo circulação de motos. Eles chamam essa marginalzinha de “Coletora”. Andam motos e bicicletas.
Era na tal da coletora que aconteceu do amigo do Otávio ser parado e quase linchado pelos policiais. Encontramos duas dessas. Uma ao lado de Resistência e outra em Presidência Roque Saenz Peña – um lugar que muita gente para nesse caminho. Uma cidade de uns oitenta mil habitantes. Antes não tinha hotel decente por lá. Agora parece que tem um novo, com muitos quartos. O nome, não sei. Assim que descobrir, eu posto.
Essas “coletoras” se explicam pelo tipo de trânsito de motos que há no local. São umas motos pequenas, velhas, muitos ciclomotores, apinhados de gente sem “casco” (o capacete deles). Vi diversas com menores, com três, com pai, mãe e dois filhos. Até nenê de colo eu vi. Esse pessoal realmente não podia trafegar na rodovia porque dava caca. Agora, as nossas grandes maxitrails são para rodar na estrada. E não podem. Consequentemente, temos que nos submeter às tais “coletoras”, senão eles param e multam. Multam, não, pedem “una contribuicion” – que não não estou disposto a dar.
Essa é uma dica importante. Quem vier pela Ruta 16, depois de Corrientes, tome cuidado com os trechos de pista com relação aos quais o tráfego de moto é proibido. Vão para as coletoras e voltem mais à frente.
Bom. A primeira parada foi Presidência Roque Saenz Peña. Cento e oitenta e dois km tocados. Chegamos lá às 9:10hs. 28º Celsius. Boa temperatura. Abastecer, uma aguinha, um Redbull para dar uma força para a atenção e estrada.
A segunda parada foi em Pampa de Los Guanacos. Trezentos e trinta e três km tocados. 11:10hs. Quando deu trezentos km a temperatura estava exatos 30° Celsius. Coincidência.
Ah! Sobre a temperatura, a mais alta que pegamos foi 31º Celsius. Absolutamente confortável. Quase o tempo todo estava 28° E o céu estava encoberto. Em outras palavras, justamente no lugar em que o calor era mais temido – o Chaco Argentino – pegamos a temperatura mais amena da viagem, porque havia chovido ontem em quase toda região. Sorte. Ou muita reza. Murmurar um “Salve Rainha” de vez em quando ajuda!
No posto em Pampa de Los Guanacos, uma coisa curiosa: a moto ficou coberta de abelhas. Movimentei-a, mas elas me acompanharam e ficaram. O jeito foi não mexer com elas e deixá-las rondando.
Só que depois, na estrada, uma delas – que deve ter pegado uma “carona” – foi jogada pelo vento no meu pescoço e me picou. Uma bela ferroada que me incomodou o tempo todo.
Sobre bichos em geral, o Chaco está cheio deles. O tempo todo bandos de passarinho levantavam voo à nossa passagem. Metia a mão na buzina para espantá-los. Deu certo, porque não pegamos nenhum. Também havia na “Ruta” muitas Marias Fedidas. Estouravam o tempo todo em nossos capacetes e vinha aquele cheiro característico.
Muito gado solto ao lado da pista. Bois, carneiros, cabritos, jumentos etc. E carcarás – aqui chamados de caranchos. Demos sorte de não pegarmos nenhum – à exceção da minha abelha no pescoço e de outro inseto não identificado que picou o braço da Ju e fez um caroço. Viemos disputando sobre em quem doía mais.
Além do gado, a paisagem ao redor estava coberta de girassóis. Já secos, prontos para a colheita. Por aqui seguramente o girassol é a cultura campeã.
Por conta dos girassóis, há muitas maquinas agrícolas na pista. Máquinas enormes, que chegam a invadir a pista contrária. Mas o movimento de veículos não é muito grande – apesar de ser maior do que o da Patagônia.
O posto da segunda parada – o de Pampa de Los Guanacos – tinha instalações sanitárias de dar inveja a qualquer boteco de beira de estrada da Amazônia. Ganhou a nota máxima de imundície: classificação três cocôs. Até os mosquitos se recusavam a entrar no banheiro. Mas a gente teve que fazer uso deles...
A terceira parada foi no km 491 às 13:00hs. Não anotei o nome da cidade. De curioso no local, havia dois ônibus cor-de-rosa de um grupo de suecos que estão viajando pela América do Sul. Eles devem aparecer no Rio de Janeiro – provavelmente no carnaval. E não será coincidência.
A temperatura estava extremamente amena para o Chaco nesta época: 27°Celsius. E pensar que há uns quinze dias atrás a temperatura média por aqui (média!) era de 40°! Escapamos do Infierno Del Chaco!
No posto chegou um grupo de São Paulo. Estavam em seis motos – diversas BMW e uma Suzuki com uma mulher de certa idade – e vinham do Atacama. Disseram que o trecho seguinte da estrada estava bem ondulado e com buracos. Aliás, os cinqüenta km anteriores estavam assim. É preciso tomar cuidado, porque a gente acostuma com aquele asfalto perfeito e de repente começa a pegar uns buracos que podem fazer um estrago.
Bom, na hora de abastecer, aquela muvuca de grupo muito grande e a mulher acabou por cair. Estragou o pisca da Suzuki dela. É por isso que grupo de mais de quatro motos começa a complicar. E pensar que em setembro vamos para a Route 66 em onze ou doze motos...
O quarto trecho teve alguns incidentes.
Logo na saída do posto, reparei que a top-case do Otávio estava com as chaves penduradas. Imaginem o transtorno de se perder as chaves do bagageiro. Simplesmente não dá para tirá-los da moto. Emparelhei para avisá-lo, diminuímos a velocidade, e aí um paraguaio que estava bem atrás grudou na traseira da minha moto. Cheguei a achar que tinha dado uma fechada nele, mas não foi isso que aconteceu. Ele só achou que não tinha que diminuir. Quando percebi, voltei para a pista da direita e tive que ver a mulher do paraguaio esbravejando e fazendo gestos pouco relevantes com a mão. Podia ter dado um acidente. Assim, a atenção máxima é sempre necessária, principalmente nessas retas enormes da Argentina. Como a tocada é razoavelmente tranqüila, há perigo de acontecer alguma distração que – bate três vezes na madeira – pode ser fatal.
A pista também estava muito deformada e tinha mais buracos do que o trecho anterior. Foi quase um tobogã. O Otávio chegou a perder uma água por conta do sobe-e-desce.
Pouco antes do final do destino, a maior confinação de gado que já vi na minha vida. Dos dois lados da pista, milhares e milhares de bois daqueles vermelhos de cara branca (Brangus? Red Angus? Qualquer outro Angus? Só sei que é bom!) que fazem a carne da Argentina ser tão deliciosa.
Tudo correu bem e chegamos em Joaquim V. (V.?) Gonzáles. Exatos seiscentos km de viagem. Horário de chegada: 14:50h. Temperatura: 27,5° Celsius (É, a reza ajudou! Obrigado Senhor!). No posto encontramos Daniel (se eu não me engano, este é o nome dele), um Argentino da Província de Santa Cruz, de uma cidade entre Caleta Olívia e Rio Gallego – ou seja, lá de baixo – que está viajando sozinho e vai para Machu-Pichu. Tiramos uma foto juntos. Também encontramos um trio muito simpático: avó, mãe e filha de Botucatu que faziam sozinhas, de carro, a expedição das três gerações. Admirável! Elas também vão para o Atacama e devemos nos encontrar pelo caminho.
Ficamos no Hotel Colonial: o melhor da cidade. Aceitável e caro para o nível (duzentos pesos). Mas pelo menos tem água quente (que hoje precisamos!) e ar condicionado.
Na cidadezinha, o mesmo esquema de todas na Argentina. À tarde, todos se recolhem. À noite é uma festa só! Todo o povo nas ruas e, principalmente, na praça.
Havia uma festa de Reis, com os três Reis Magos (um estava com cara de bebaço) desfilando em carro aberto. A criançada, apinhada em frente à Prefeitura local, vibrava. A Ju fotografou.
Comemos no único restaurante que encontramos. Toalhas lamentavelmente sujas. Cheio de bichos empalhados. Uma aparência de mapa do inferno ao contrário. Só que vieram uns bifes e umas fritas excelentes. E a cerveja estava trincando. Não tenho medo de afirmar que foi a melhor comida que comi em um lugar tão boca-de-porco, tão sujinho (mas não o Sujinho Chic de São Paulo) como aquele.
Por fim, os veículos. Um caso à parte.
As motos é aquela festa. Trafegam com três, quatro ou mais pessoas. Os carros, caindo aos pedaços com crianças na frente, o rosto grudado no vidro. Sem a menor noção de segurança básica.
O vencedor foi um Peugeot 405 que provavelmente tinha capotado e o dono, simplesmente, cortou o teto fora e fez um conversível! Esses carros transitam pelas ruas da cidade e passam em frente aos policias que os ignoram. É a Lei local, que vale só para os locais, de permissividade ao máximo. Mas é bem interessante.
Prossegue no próximo post. Fotos com a Ju, assim que eu parar de usar o computador. Abreijos. Toni.

Quarto trecho - Posadas - Corrientes

Cinco de janeiro de 2011. Argentina total.
Quatro trecho curtinho. De Posadas a Corrientes.
Porque curtinho, dormimos bem, tomamos café sem pressa, com media-lunas, e saímos às 9:30h.
Temperatura: 28º. A impressão que deu é que ia pegar. E pegou! Tremendo calor. Deu 34° quase o tempo todo.
Até a 1ª parada em Itaibaté (160km, duas horas depois). Aí deu uma chuva forte a baixou para 25°. Parou de chover e a temperatura rapidamente voltou aos 34º.
Na chegada estava mais fresco: 31°. Chegamos às 15:00h. Surpresa. Desde a entrada na Argentina até Corrientes, nenhum policial – municipal, estradeiro, carabineiro, do exército etc. – parou a gente. Temos uma espécie de truque que funciona bem. Sempre que cruzamos alguma barreira policial – e são muitas, normalmente próximas a uma cidade maior; basicamente essa é a espécie de fiscalização – erguemos a parte articulada do capacete e cumprimentamos os guardas. Não sei o que é – acho que as nossas carinhas de gente de bem e de gente que não tolera ser achacada –, mas quase sempre dá certo.
Ficamos num hotel excelente e de bom preço: o Guarani, na Calle Mendoza, bem no centro. Quase ao lado da rua de pedestres e lojas. No Brasil, um hotel do tipo não ficaria por menos de R$ 200,00. Em Corrientes ficou por R$ 130,00.
Depois de banho, lavar as roupas e colocar para secar perto do ar condicionado – viagem de moto é isso; pouca roupa e muita disposição, porque lavá-las depois de uma tocada não é mole! – saímos para câmbio. Trocar pesos por reais ou por dólares na Argentina é bem melhor do que no Brasil. O dólar estava quatro para um. O real, pouco mais de dois para um. Assim, se você vier para cá, compre só um pouquinho de pesos para fazer câmbio por aqui.
Compre um pouquinho, mas não tão pouquinho assim. Enquanto no Brasil, hoje, até o Boteco do Seu Zé e a Dona Maria passadeira têm maquininha de cartão de crédito, aqui é tudo em “efectivo”. Combustível em efectivo, restaurante em efectivo – por exemplo, o Rodilla, que era um dos bons em Posadas, não aceita cartão... –, hotel em efectivo – o Guarani aceita cartão, mas dá dez por cento de descuento em efectivo. Então venha preparado para pagar as contas no dinheiro de papel, não no de plástico.
Às quatro, estava tudo fechado. Porque começa a abrir às cinco para valer. Aí é uma enchente de gente na rua.
Comemos no hotel, como o Otávio já postou. Comi um bife à milanesa. Que gostoso que são os milanesas aqui. Em toda sanduicheria eles servem um lanche feito com bife à milanesa. Boa dica para “segurar as pontas” por algumas horas, na estrada, quando não dá tempo para almoçar (nem tempo e nem vontade, porque tocar de barriga cheia, principalmente com calor, não dá, né?).
Dormir. Sair cedo. Bem cedo, porque depois de Corrientes tem a travessia do Chaco – que alguns dias atrás estava com temperaturas médias de quarenta graus!
Não saímos tão cedo assim. O hotel não antecipou o café da manhã que só foi servido às 6:30hs. Saímos às 6:50hs. O trecho, de seiscentos Km., até Joaquim V. Gonzáles (não me perguntem o que é o tal de “Vê”; em todo lugar a cidade é assim denominada: Joaquim V. Gonzáles...).
Prossegue no próximo post. Fotos com a Ju, assim que eu parar de usar o computador. Abreijos. Toni.

TERCEIRO TRECHO - ARGENTINA - FOZ DO IGUAÇÚ - CORRIENTES

Quatro de janeiro de 2011. De Foz do Iguaçu a Corrientes. Entrada na Argentina. Alfândega foi super tranqüila. A funcionária da policia federal Janaísa foi muito gentil e ficou com um selo do blog. Quem sabe ela entra e deixa uma mensagem.
Houve necessidade de rápida abertura da caçamba da camionete do Zé Mauro e uma entrada, também rápida, em Puerto Iguazú, para compra de um cambão – dispositivo de reboque – ao que parece necessário só para turistas brasileiros, porque alguns policiais argentinos, no dia da coleta, pedem tudo para tirar uma graninha da gente. Até lençol para cobrir defunto em acidente – diz a lenda – eles pedem.
Saímos do hotel às 8:45h. Estrada mesmo, pegamos por volta de 10 horas. Do Brasil. Na Argentina ainda era nove horas, porque aca no hay horário de verano. Tocamos até Garuhape – uma das inúmeras cidadezinhas pelas quais a rodovia passa. Cento e setenta km e 10:50h (horário local). O segundo trecho foi até San Ignácio Mini. Km 250 da saída. Visita às ruínas jesuíticas. Muito bonito. Vocês viram nas fotos que o Otávio postou. Calor infernal. Nem almoçamos. Chegamos em Corrientes por volta de 15:30h., num total de 310 km. Um calor realmente infernal. Viajamos com trinta e cinco a trinta e seis graus muitos km. E o pior não era o calor, mas o sol. Saímos, eu e a Ju, para comprar água num posto da esquina, por volta de 4:45h. O sol queimava como se fosse meio-dia. Impressionante. É por isso que os argentinos, todos os dias, fazem a siesta. Fecha tudo. As cidades ficam desertas e reabrem depois das quatro. Vagarosamente e com tudo depois das seis. Aí as ruas fervem. O povo, apesar da crise, parece ser muito alegre.
Posadas é uma cidade agradável. É a capital da província de Missiones. Tem uma costaneira à beira do rio Paraná, cheia de restaurantes e de gente. Bem cuidada, mas há prédios de luxo entremeados de construções decadentes. Esse misto é um pouco do retrato da Argentina de hoje.
Comemos num restaurante por ali. No La Rodila. Boa carne e preço bem razoável. De táxi, gastamos vinte pesos até lá. Baratinho, em comparação com o Brasil.
No dia seguinte, saímos por volta de 9:30hs. E o sol já estava pegando.
Continua no próximo post. Fotos, assim que a Ju baixá-las e postá-las.
Toni.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

SEGUNDO TRECHO-LONDRINA - FOZ DO IGUAÇU





Três de janeiro de 2011. Dia da saída de Londrina, local de encontro. Agora começou para todo mundo a viagem para o Atacama.
Saída prevista para as seis da manhã. Saímos às 6:23hs. Atraso pequeno para um grupo de oito. Saímos sem chuva e assim tocamos. Se fosse de avião, poderia se dizer que estava um céu de brigadeiro – apesar das nuvens. Temperatura agradável. E soja para todo lado. Foram pelo menos uns quatrocentos quilômetros de soja margeando a pista. Anteriormente, eu já tinha passado por aqui e as culturas eram mais variadas. Hoje é um mar de soja.
Bom, a primeira tocada foi de Londrina a Campo Mourão. Duzentos e seis km. Cerca de nove da manhã. Um dica: depois de contornar a cidade inteira, quando aparece um trevo indicando Campo Mourão à direita e Cascavel à esquerda, pegue à direita. Pegue para abastecer num BR que tem gasolina Podium. Para quem usa a Podium, o desvio de dois km compensa. Enchi o tanque de Podium e o motor boxer da BMW respondeu bem. Diminuiu o consumo e o motor roncava mais cheio.
Saímos às nove e vinte e tocamos até Céu Azul – uma cidadezinha grudada em Cascavel. Foram mais duzentos e poucos km. Desde a saída de Londrina, exatos 419 km. Chegamos às 11:53h.
As cidades de porte do Paraná pelas quais passamos – Maringá, Campo Mourão e Cascavel – causam ótima impressão. Parecem, de longe, ser muito bem estruturadas. Elas são contornadas. São servidas por uma espécie de rodoanel. Só que muito ruins, em comparação com as cidades. O de Cascavel, por exemplo, dá pena e raiva ao mesmo tempo. O asfalto é péssimo e a pista é simples. Tem trevos que cortam o anel viário – um deles, inclusive, em frente a uma churrascaria movimentada. É uma verdadeira roleta russa para cruzar a pista. As cidades do norte do Paraná mereciam vias mais bem feitas. O pedágio cobrado não justifica o estado precário desses anéis viários. Cobram R$ 4,30 (ou mais) das motos e o dobro dos carros. Muito dinheiro para pouco retorno.
A pista entre Londrina e Foz do Iguaçu deveria ser toda dupla, mas não é. A pista é dupla até depois de Maringá. Depois, volta a ser dupla a uns quarenta ou cinqüenta km de Foz. Movimento grande, com muitos caminhões. As estradas de pista simples e os anéis, definitivamente, não estão à altura das cidades do norte do Paraná.
Há um movimento da sociedade civil para a inteira duplicação da pista. Bonito. Uma hora eles vão conseguir aquilo que o governo deveria fazer – ou exigir da concessionária – sem pestanejar.
Voltemos para a pista. De Céu Azul a Foz, sem outras paradas. Saímos às 12:10 e chegamos às 13:30hs. Tivemos que procurar um pouco o hotel, porque o GPS do Otávio aparentemente não estava recebendo o sinal.
No trecho de pouco menos de cem km, pegamos um pouco de chuva. Muito pouco, mas a chuva era grossa. Tivemos sorte, porque se avistava o toró ao lado da estrada.
O clima estava ameno. Chegou nos trinta e um graus, mas só no final da viagem. Antes, começamos com 21 graus e a maior parte do tempo a temperatura estava em torno de 24 a 26 graus. Ótimo para viajar de moto.
O Zé com a camionete acompanhou muito bem as motos. Não atrapalhou em nada o ritmo – que não é muito forte (cento e dez a cento e trinta).
Hotel encontrado, baixamos a bagagem e fomos visitar as Cataratas. Aquilo é mesmo uma das maravilhas naturais do mundo. Impressionante o volume de água e a quantidade de cachoeiras. E a Garganta do Diabo é um espetáculo à parte.
Tomamos chuva, forte, que caiu justamente quando estávamos na passarela de observação da Garganta do Diabo. Mas ninguém se importou. Fez parte do clima – mesmo porque a chuva não molha mais do que a enorme quantidade de água que é espirrada em quem anda pela passarela.
Agora no início da noite um (uns) chope para brindar o bom e tranqüilo começo de viagem.
Nove e quarenta. Vou dormir. Acordei às cinco e estou com sono. Amanhã, toca pra Argentina. Primeira pousada, Posadas.
A bunda continuou a reclamar. Mais do que ontem. Mardito cóccix. Mas vamos nessa. Depois que esquenta, fica mais fácil tocar. E os próximos trechos são mais tranqüilos. Só teremos uma puxada maior de Posadas a sabe-se lá onde. Ainda não decidimos.
Assim que der, posto as fotos. É que a Ju ainda não as baixou no computador. A Internet do hotel aqui em Foz (um meia boca chamado Cassino. De bom, a localização. Fica bem no centro, pertinho da prefeitura) é meia-boca. Saíumos à pé para o chope (s).
Abreijos. Amanhã (ou depois) tem mais.
Toni.

domingo, 2 de janeiro de 2011

O PRIMEIRO TRECHO - TANQUE, LOCOMOTIVA, LAGARTO, VIADUTO E BURGMAN

Dois de janeiro de 2011. Dia zero da contagem regressiva. Começou a viagem para o Atacama.
A saída estava prevista para as cinco da manhã. Como os preparativos só terminaram por volta de uma e meia, não deu para sair no horário. Além do sono, estava escuro e chovia. Melhor não começar mal.
Mais uma dormidinha e saímos, eu e a Ju, pouco antes das nove, rumo a Londrina.

Saímos com chuva e com chuva ficamos os primeiros cento e noventa km – pouco menos de duas horas de tocada –, até o Posto Road Star, na Castelo Branco. O caminho foi: saída de Barão Geraldo, D. Pedro até a Anhanguera, depois Bandeirantes até a Santos Dumont (estrada para Viracopos que liga Campinas a Sorocaba), depois a Castelo propriamente dita.
No Road Star – acho que o maior posto da America do Sul – foi lanche, abastecimento, colagem do adesivo do blog no vidro destinado aos clubes de motociclistas, foto junto com um tanque de guerra (é isso mesmo, um tanque de guerra! Coisa mais trash, impossível...).
Depois, mais cento e quarenta km – cerca de uma hora e meia de tocada – e paramos novamente, no Estação Café, proximidades de Santa Cruz do Rio Pardo, já terminada a Castelo.
Depois do tanque, uma locomotiva a vapor. De verdade, que anda dentro do posto uns trezentos metros. Vai e vem... Vai e vem... A criançada fica louca. Eu também. Andei muito de locomotiva a vapor na minha infância. Ia visitar o meu avô em Sodrélia. De Santa Cruz a Sodrélia. Até que desfizeram o ramal. Doce recordação.

Bom, no Estação Café, novo adesivo do CDFMOTOBLOG. Aí um café e um Red-bull, porque eu estava com sono. Depois mais estrada. Perna final. Ourinhos, Assis, fronteira com o Paraná e Londrina. Os restantes 230 km. Total de 560 km.
A estrada de Santa Cruz do Rio Pardo a Assis está toda duplicada e bem asfaltada. Um passeio. Até Ourinhos é a SP 327. De Ourinhos a Assis é a SP 270.
Há dois pedágios e estão cobrando das motos. Menos mal é que a gente passa pela direita, no local onde liberam os carros oficiais. Ali há um funcionário para cobrar e abrir uma pequena cancela. Muito melhor do que parar nas cabinas normais, cheias de óleo no chão e com um motorista babaca atrás, fungando no seu cangote – porque ele não tem que tirar a luva, né?
Há um projeto de lei no Congresso Nacional, justamente para que o pedágio da moto seja exclusivo. É do meu amigo, o Deputado Carlos Sampaio, cujo esboço foi feito por outro amigo, um motociclista de primeira: O Silvião Crocci – presidente do Moto Clube Alphaville Campinas, que está acompanhando a nossa viagem e que ficou morto de inveja. Palavras dele.
O pedágio é baratinho – R$ 1,10. Diferente do Paraná. Na rodovia Miguel Jubran (PR 323), de pista simples – com faixa de apoio de tanto em tanto –, a concessionária tem a coragem de cobrar pedágio de R$ 5,30 para moto! E COBRAM na cabina cheia de óleo – com risco de queda evidente! Fala sério! O pessoal fica p... da vida com esses pedágios que só revertem para a concessionária, mas não para o usuário. Com razão.
Chegamos às 15:50hs. Sete horas de viagem. Boa e tranqüila tocada. Até deu para lavar as roupas na máquina da casa do Otávio e da Inha. Um luxo que não teremos daqui para frente.
A bunda reclamou um pouco. Vim como aqueles lagartos do deserto que ficam, de tempos em tempos, mudando as patas de apoio, para não queimarem os pés. Como o da foto que abre o post. Eu apoiei em meia bunda – mais do lado esquerdo. Mais dois dias de viagem, acostumo.

Ah! Foi interessante passar no viaduto novo da Castelo Branco. Rodei por aquela estrada a minha vida inteira, desde a inauguração, e no trecho próximo a Botucatu a pista desviava para o único viaduto existente no local. Ao lado estavam as obras iniciadas do outro que só agora foi concluído, pela concessionária.




O Poder Público, enquanto esteve com a estrada nas mãos, preferiu deixar apodrecer ao longo dos anos as ferragens do viaduto que iniciou, mas nunca concluiu. Mais de quarenta anos. Santa incompetência, Bátima!
Outro ah! Ao chegar em Londrina, dei uma volta de Burgman com o Otávio. Totalmente diferente! A Ju também andou. Tocada super intuitiva, mas as rodinhas causam certa insegurança. Agora, o conforto é dez! Bancão largo e macio.

Seguem as fotos. Da saída de Campinas, do tanque, do viaduto (emprestada), da locomotiva (idem), do lagarto (idem) e da Burgman. Abreijos. Amanhã (ou depois) tem mais.
Toni.

sábado, 1 de janeiro de 2011

Queridos amigos,

Mais uma vez estamos de partida para um incrível aventura! Desta vez, nossas rodas, nos levarão ao Deserto do Atacama.

Acabei de arrumar a mala. Sim, está mais fácil, a gente vai aprendendo com a experiência, mas ainda dá vontade de levar mais coisa do que cabe! Quer saber, não peguei o secador de cabelos desta vez! O que vale é a experiência, a oportunidade da aventura, os lugares maravilhosos, as pessoas com que conversaremos, e a sensação de ter feito algo excepcional e não meu cabelo comportado na foto. Sim, viajar de moto é algo excepcional. Não pretendo escalar montanhas nem correr maratonas. Mas as viagens de moto são meu everest. E cada um de nós tem os seus próprios everests, não é!?

Desejo que nesse ano que começa hoje, todos nós possamos nos encontrar mais, ainda que seja no mundo virtual!

E meu desejo especial para cada um de vocês, meus queridíssimos amigos é que, cada um de vocês, descubra algo que faça você se sentir especial e único. Pois é assim que eu vejo vocês: pessoas maravilhosas, especiais, e muito muito amadas por mim!

Bora para estrada!

beijinhos grandes,

Juliana

Ahhhhhh. Por favor, não esqueçam de nos seguir em www.cdfmoto.blogspot.com
Deixem recadinhos porque é maravilhoso sentir que vocês viajam juntos conosco!